segunda-feira, 16 de abril de 2007

Rodrigo Leão - O mundo (1993-2006)


19 de Maio, sábado, 22h00, Grande Auditório.
Entrada: 25 euros
M/3
Duração 90
Tanto tempo e tanto mundo passaram. Tanta vida, tantas vidas tocadas por estas músicas que já reconhecemos, ou de outras ainda por conhecer mas que irão ser acolhidas da mesma forma, como se de velhos amigos se tratassem.

É neste estado de graça que se encontra agora a obra de Rodrigo Leão. Já longe dos rótulos, dos epígonos e das comparações gratuitas: apenas músicas e canções que, por mérito próprio, se foram insinuando nas bandas sonoras das nossas vidas e aí têm permanecido.E provavelmente permanecerão, durante mais algum tempo e uma ou outra geração. Não se pode pedir mais a um criador, e este é seguramente o sinal definitivo de que a sua arte cumpriu o seu destino.

Esta compilação - permitam que a chame de colecção, no mesmo sentido a que nos referimos a pequenas peças de arte - confirma um percurso e abre janelas sobre os caminhos que estão por percorrer. Oiça-se por exemplo os inéditos Rua da Atalaia, Voltar ou Solitude (dois deles já testados em palco) para se perceber que a mudança musical está sobretudo na herança. Nunca houve rupturas dramáticas na obra de Rodrigo Leão - apenas transições serenas para aquilo que o compositor melhor sabe fazer. Neste sentido, Tardes de Bolonha (composto para a Madredeus), Ascensão (para a Sétima Legião) ou Ave Mundi Luminar encaixam-se naturalmente com composições mais recentes como Solitude, Lonely Carousel ou Pasión. Rodrigo Leão prefere a evolução à revolução, a calma inquietação à busca do novo pelo novo.

Mesmo as regravações presentes nesta colecção são prova dessa atitude: Carpe Diem, Amatorius ou Ave Mundi Luminar são exemplos perfeitos de um trabalho que não está acabado, mas sempre à espera de uma nova leitura, no palco como no estúdio.

Para os neófitos na obra de Rodrigo Leão, esta colecção prova que havia vida antes de Cinema, o álbum que potencializou ao máximo a escrita do compositor; para os outros, cúmplices antigos, que percorreram juntos todas estas músicas, a colecção serve como confirmação de que tinham razão: de que Rodrigo Leão é, nesta altura, um dos melhores compositores europeus, sem favores ou excessos.

Mas o melhor é a força desta certeza, que se sente em cada um dos temas: como diz o poeta, «destes nomes», que atravessarão tempos e mundos, restará sempre «uma réstia de alegria», a «iluminar toda a vida». E assim de repente, não conheço ambição maior.

Nuno Miguel Guedes

1 comentário:

Mário de Sá Peliteiro disse...

Não têm uma newsletter?